Instituto Pensar - Bolsonaro volta a atacar imprensa e ameaça proibir manifestações

Bolsonaro volta a atacar imprensa e ameaça proibir manifestações

por: Ana Paula Siqueira 


Imagem: Reprodução

Após a formatura de sargentos da Aeronáutica, em Guaratinguetá (SP), nesta segunda-feira (21), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) voltou a atacar a imprensa após ser questionado. Irritado, mandou uma repórter de uma afiliada da TV Globo calar a boca, tirou a máscara do rosto e ameaçou proibir manifestações contrárias ao seu governo.

"CNN? Vocês elogiam a passeata agora de domingo né? Jogaram fogos de artifício em vocês e vocês elogiaram ainda?, afirmou Bolsonaro a repórteres, referindo-se aos protestos do último sábado (19) contra seu governo que reuniram milhares de manifestantes pelo país.

"Essa Globo é uma merda de imprensa. Vocês são uma porcaria de imprensa?, disse. O presidente se irritou inicialmente após ser lembrado que foi multado pelo Governo de São Paulo por não usar máscaraEle também foi multado no Maranhão.

"Você quer fazer uma pergunta decente? Eu respondo. Você é da Globo? Não quero conversa com a Globo não?, respondeu.

Elias Vaz defende penas mais severas

O deputado Elias Vaz (PSB-GO) disse que não se pode ficar de braços cruzados diante de tantos ataques de Bolsonaro. Em 2020, ele apresentou o projeto de lei (PL 2982/20) que qualifica como crime uma série de condutas que têm como objetivo intimidar jornalistas ou restringir a plena liberdade de imprensa.

O texto também aumenta a pena prevista para os crimes de homicídio e lesão corporal quando a vítima for jornalista ou outro profissional da imprensa.

Nova leva de ofensas bolsonaristas

Após as grosserias, em seguida, ele voltou ao tema. Ao ser questionado, mandou a repórter calar a boca. "Cala a boca, vocês são uns canalhas. Vocês fazem um jornalismo canalha que não ajuda em nada. Vocês destroem a família brasileira, destroem a religião brasileira. Vocês não prestam?, disse.

E continuou. "A Rede Globo não presta. É um péssimo órgão de informação. Se você não não assiste à Globo, você não tem informação. Se você assiste, está desinformado. Você tinha que ter vergonha na cara por prestar um serviço porco desse?, finalizou.

Bolsonaro tira máscara para provocar

No fim da entrevista, Bolsonaro tirou a máscara repentinamente. "Vocês acham que vou me consultar com Bonner ou com Míriam Leitão sobre esse assunto? Parem que tocar no assunto. Me botem no Jornal Nacional agora. Estou sem máscara em Guaratinguetá. Está feliz agora??, questionou. No último sábado, o Jornal Nacional, da TV Globo, exibiu um editorial sobre a marca de 500 mil mortes por covid no Brasil.

No início da entrevista, Bolsonaro chegou a lamentar as mortes e ressaltou que sempre defendeu o tratamento precoce, que já foi descartado pela comunidade médica e científica ainda em 2020.

"Lamento todos os óbitos. Muito. É uma dor na família. E nós, desde o começo, o governo federal teve coragem de falar em tratamento precoce. Como está sendo conduzida essa questão parece até que é melhor se consultar com jornalistas do que com médicos?, ironizou.

Bolsonaro distorce orientações médicas

Subvertendo as orientações médicas novamente, Bolsonaro disse que é a primeira vez na história que se busca atender pessoas depois de estarem hospitalizadas. "Sempre se falou em tratamento precoce, para mulher, para homem. Os médicos sempre falam dessa maneira. Não sei porque aqui você não pode falar de tratamento precoce no Brasil?, reclamou.

E se colocou como "prova viva? da eficácia do tratamento à base de remédios que não funcionam para a covid-19.
"Tudo o que eu falei sobre a Covid, infelizmente, para vocês, deu certo. Tratamento precoce salvou a minha vida. Muitos jornalistas falam comigo reservadamente que usaram hidroxicloroquina e ivermectina. Por que vocês não admitem isso??, disse. Sobre o não uso de máscara, afirmou que as pessoas fazem o que quiser.

"Eu chego como quiser?

"Eu estava com capacete balístico a prova de 762 [durante passeio de motocicleta em São Paulo, no último dia 12]. Então, vou ser multado toda vez que andar de moto por aí? Sou alvo de canalhas do Brasil. Eu chego como quiser, aonde eu quiser, eu cuido da minha vida. Se você não quiser usar máscara, você não usa?, vociferou.

O presidente voltou a dizer que há um documento do Tribunal de Contas da União (TCU) que menciona uma suposta supernotificação de casos da Covid-19 no Brasil. O que já foi desmentido pelo próprio TCU. O servidor responsável pelo relatório paralelo está sendo investigado pela Corte de Contas.

Bolsonaro continua a ignorar mortes

Durante evento de formatura, Bolsonaro ficou uma parte do tempo sem usar máscara. No discurso de apenas três minutos, não fez menções à pandemia e nem abordou questões políticas.

Novas ameaças à democracia

Mais cedo nesta segunda-feira, em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, em Brasília, Bolsonaro ameaçou a realização de manifestações contra seu governo, que aconteceram em mais de 400 cidades do Brasil e também em diversos países no último sábado (19).

"Eu acho que eu vou acabar com as manifestações dos ?petralhas?. Comam mortadela, pessoal, faz bem à saúde. Comam mortadela, que faz bem à saúde. Vai acabar com as manifestações. Entendeu a jogada? Porque tudo que eu apoio é o contrário, então, estou apoiando agora o consumo de mortadela no Brasil?, disse.

Voto impresso

Em defesa da PEC (proposta de emenda à Constituição) do voto impresso, Bolsonaro afirmou nos últimos dias, sem qualquer prova, que os pleitos presidenciais mais recentes foram fraudados.

"Só na fraude o nove dedos volta. Agora, se o Congresso aprovar e promulgar [a PEC], teremos voto impresso. Não vai ser uma canetada de um cidadão como este daqui, que não vai ter voto impresso. Pode esquecer isso daí?, afirmou Bolsonaro em referência velada ao presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Luís Roberto Barroso, crítico da adoção do voto impresso.

Mourão se esquiva sobre 500 mil mortos

O vice-presidente Hamilton Mourão (PRTB) também foi questionado nesta segunda-feira sobre a marca de mais de 500 mil mortes por covid no Brasil. Para ele, há uma questão social que agrava o quadro no país. "É muito triste você perder esta quantidade de vidas. É uma doença difícil e é o retrato da desigualdade socioeconômica que nós sofremos?, afirmou pela manhã, ao chegar à Vice-Presidência.

"Tem gente que tem tratamento melhor, tem gente que não tem, tem gente que não consegue chegar no hospital. Então, é consequência dessa situação que a gente vive e que nós temos que corrigir?, disse.

Com informações da Folha de S. Paulo



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